
ANÁLISE CEPEA – Os preços do arroz em casca no Rio Grande do Sul estiveram praticamente estáveis em boa parte de 2013. A expectativa de uma menor oferta de casca alicerçou a posição retraída de produtores ao longo do ano, sustentando as cotações do arroz. No geral, agentes de mercado estiveram atentos à substituição de parte da área de arroz por soja na safra 2012/13, especialmente nas regiões Zona Sul e Campanha, e à possibilidade de menor estoque de passagem nos armazéns particulares, reflexo das exportações recordes de 2012, e também nos do governo federal.
No primeiro semestre de 2013, o preço do arroz em casca caiu até meados de abril. Este período foi marcado pela colheita da nova safra, que foi iniciada em fevereiro e se estendeu até maio. O excesso de chuva e as baixas temperaturas dificultaram o andamento das atividades naquele momento e a necessidade de realizar pagamentos das atividades de colheita pressionaram os valores.
Por outro lado, agentes de indústrias e dos setores atacadista e varejista realizavam compras somente para reposição de estoque. Além disso, as beneficiadoras se queixavam da concorrência com o preço do arroz importado que abastecia os grandes centros consumidores, reflexo de uma taxa de câmbio que favorecia as compras externas naquele momento.
Segundo dados da Conab, a produção nacional de arroz foi de 11,7 milhões de toneladas em 2012/13, com crescimento de 1,3% sobre a temporada anterior. Entre as regiões brasileiras, a oferta aumentou no Sul, puxada pelo Rio Grande do Sul (com aumento de 2,5%), e no Norte, pelo Tocantins (27,9%). A estimativa da Conab é de consumo interno na casa de 12 milhões de toneladas.
No segundo semestre, os preços se mantiveram firmes, sustentados por vendas programadas pelos orizicultores e por notícias de que as exportações ganhariam maior ritmo. Produtores tiveram como opções de receita o Empréstimo do Governo Federal (EGF) e a venda de soja e/ou gado. Além disso, a demanda foi puxada pela necessidade de compra por parte das indústrias que firmaram novos contratos de exportação, favorecidos pela valorização do dólar frente ao Real, especialmente pelas empresas próximas ao Porto de Rio Grande.
As exportações de arroz superaram 100 mil toneladas em fevereiro, março e de agosto a novembro de 2013. Com isso, os estoques internos foram reduzidos. De janeiro a novembro, o Brasil exportou 1,05 milhão de toneladas de arroz, contra 1,6 milhão de toneladas no mesmo período de 2012. Quanto às importações, as compras brasileiras de arroz somaram 965,2 mil toneladas de janeiro a novembro de 2013, contra 933 mil toneladas no mesmo período de 2012. Assim, a balança comercial brasileira do arroz está superavitária em 2013, em pouco mais de 81,8 mil toneladas. No mesmo período de 2012, o superávit era de 642,1 mil toneladas.
Diante do bom ritmo das exportações, os preços subiram com maior intensidade nas regiões próximas ao porto de Rio Grande. O Indicador ESALQ/Bolsa Brasileira de Mercadorias-BM&FBovespa (Rio Grande do Sul, 58% de grãos inteiros) superou a casa dos R$ 34,00/sc de 50 kg ainda no final de junho e permaneceu neste patamar até a primeira quinzena de setembro. As cotações ficaram estáveis até meados de novembro, quando passaram a subir.
Preços na casa de R$ 34,50/sc de 60 na média do Rio Grande do Sul são indicados pelo governo como patamar máximo para não afetar a inflação do País, já que o arroz é um produto que compõe a cesta básica brasileira de alimentos. Com isso, para frear a alta do arroz, o governo federal realizou leilões de venda ao longo do segundo semestre. O primeiro leilão foi realizado no dia 6 de agosto, o segundo, no dia em 16 de setembro e os dois últimos, nos dias 10 e 18 de dezembro.
A venda total dos quatro leilões, de 83% da oferta de 220 mil toneladas, injetou no mercado interno 183 mil toneladas de arroz. Os dois primeiros leilões realizados pela Conab (de agosto e setembro) conseguiram segurar o ritmo de alta do preço do arroz em casca nos respectivos períodos. Já em dezembro, o preço do casca voltou a subir com mais força. Isto porque houve realização de novos contratos de exportação e também fortalecimento da demanda no mercado doméstico dos grandes centros.
Em 2013, a média do Indicador ESALQ/Bolsa Brasileira de Mercadorias-BM&FBovespa foi de R$ 33,80/sc de 50 kg, cerca de 8% superior à do ano anterior (em termos nominais).
Mercado de Mato Grosso
Em Mato Grosso, produtores também estiveram retraídos ao longo de 2013. Apesar da estimativa da Conab de aumento na produção estadual, de 14,5% em 2013 em comparação a 2012, agentes consultados pelo Cepea afirmam que a disponibilidade de arroz seria baixa ao longo do ano. Isto porque houve uma expressiva queda no volume de produção nas últimas duas safras, que segundo agentes, foram substituindo a área de arroz por outras culturas, como milho.
Nos primeiros meses de 2013, em período de colheita, o preço médio recuou, chegando ao a R$ 32,00/sc de 60 kg para o arroz de 55-57% grãos inteiros. Já em meados de 2013, produtores estavam atentos à colheita de milho, que foi recorde. Para abrir espaço em seus armazéns, estes davam preferência para venda de milho em detrimento do arroz. Assim, ao longo do segundo semestre, a retração dos orizicultores alicerçou a alta nos preços médios.
Por outro lado, indústrias mato-grossenses se queixaram das fracas vendas de arroz beneficiado, tanto no mercado interno como para outros estados. Empresas afirmam que a concorrência com arroz de preços mais competitivos proveniente do Rio Grande do Sul prejudicavam as vendas das mesmas para outros estados. Com baixa demanda mato-grossense, indústrias resistiram em pagar mais pelos lotes do casca. Neste contexto, o preço da saca de arroz de 55-57% grãos inteiros, posto Sinop/Sorriso, encerrou o ano em torno de R$ 43,00/sc de 60 kg.






