
ANÃLISE CEPEA – As divergências de preços entre as regiões acompanhadas pelo Cepea no Rio Grande do Sul cresceram em junho. O aumento das paridades de exportação, puxadas pela valorização do dólar, elevou a receita do exportador e o atraiu para novos negócios. Esse cenário, por sua vez, diminuiu a oferta do produto no mercado interno.Â
Assim, as regiões mais próximas aos portos tiveram valorização acima da média e puxaram o Indicador. A sustentação nestes casos foi dada pela demanda para atendimento de contratos de exportação. Apesar do registro de apenas um navio no “line up†do porto de Rio Grande na segunda quinzena de junho, empresas estiveram ativas para adquirir os volumes necessários à exportação. Com isso, houve disputa de produto nestas regiões, cenário que levou indústrias domésticas a também elevarem suas ofertas de compras. Â
Com isso, o Indicador o Arroz em Casca Esalq/Bolsa Brasileira de Mercadorias-BM&FBovespa (Rio Grande do Sul, 58% de grãos inteiros), que é uma média ponderada das regiões acompanhadas, subiu 1,6% em junho, encerrando o mês a R$ 34,06/saca de 50 kg (dia 28). A sustentação do Indicador foi dada pelas valorizações observadas nas regiões PlanÃcie Costeira Interna e no Litoral Sul e, em menor intensidade, na região Campanha. Em junho, as altas observadas nestas regiões foram de 3,2%, 3,8% e 2,1%, respectivamente. Já os valores do arroz negociado nas regiões da Depressão Central e da Fronteira Oeste caÃram em junho. Nestes casos, as quedas foram de 0,2% e de 0,4%, respectivamente. Â
No geral, porém, a comercialização de casca seguiu lenta ao longo do mês nas regiões mais ao interior do estado. Produtores venderam poucos lotes, sinalizando não ter necessidade de “fazer caixaâ€, já que estavam capitalizados com vendas de outros produtos agropecuários ou mesmo com a possibilidade de fazer o Empréstimo do Governo Federal (EGF). Â
Indústrias, por sua vez, demonstraram interesse de compra de arroz em casca, mas estiveram cautelosas quanto à concessão de alta na saca. A maioria das beneficiadoras afirmou que as vendas de arroz beneficiado se manteve lenta. Ao negociar com empresas dos grandes centros consumidores do Sudeste e Centro-Oeste, agentes de indústrias alegaram dificuldade no repasse das altas do casca para o fardo de beneficiado. Â
Além disso, como o Indicador do Arroz esteve próximo dos R$ 34,00/sc em boa parte do mês, e inclusive superou este patamar no final de junho, atacadistas e varejistas diminuÃram o ritmo de aquisições. Isso porque, nesse patamar, tornou-se possÃvel uma intervenção governamental, o que pode favorecer quedas de preços – R$ 34,00 seria o valor sinalizado pelo governo como limite para avaliação de venda de estoque público. Até final de junho, no entanto, ainda não havia sido divulgado informações de intervenção desta natureza.Â
O forte aumento da taxa de câmbio em junho renovou as expectativas de fortalecimento das exportações e de enfraquecimento das importações brasileiras para os próximos meses. Esse cenário, se confirmado, pode favorecer a balança comercial do arroz para 2013. O dólar comercial fechou a R$ 2,231 no dia 28, valorização de 3,91% em junho e de 9,1% na parcial de 2013. Â
Para que a balança comercial brasileira do arroz chegue a ficar superavitária, outros fatores devem ser levados em consideração. O volume de venda dos principais paÃses exportadores – Tailândia, Ãndia e Vietnã – é uma importante variável na avaliação do cenário internacional. No mercado brasileiro, devem ser analisados: o volume de produção da safra 2012/13, o estoque de passagem e o preço de comercialização da saca de arroz – é preciso ter excedente e preços competitivos para viabilizar a exportação. Â
Mercado em Mato Grosso
Em Mato Grosso, orizicultores, atentos à colheita de milho, estiveram com as vendas de arroz retraÃdas em junho, ofertando poucos lotes apenas para “fazer caixaâ€. Indústrias, por sua vez, demonstraram interesse de compras, especialmente para o arroz depositado em seus próprios armazéns. Em junho, o preço do arroz em casca subiu 3,4%, negociado de R$ 34,00 a R$ 35,00/sc de 60 kg, posto na indústria da região de Sorriso/Sinop, para o arroz de 55-58% de grãos inteiros.Â
Arroz de 60% grãos inteiros
No acumulado de junho (de 31 de maio a 28 de junho), o preço do arroz de 60% de grãos inteiros no RS subiu 1,2%, encerrando o mês a R$ 34,71/sc de 50 kg. Dentre as regiões acompanhadas pelo Cepea, a maior alta foi observada na região da Zona Sul, de 2,64%, com a média a R$ 35,21/sc (dia 28 de junho). Na região da PlanÃcie Costeira Interna, o preço subiu 2,5%, com a média de R$ 35,44/sc; e na Campanha, de 1,24% (R$ 33,84/sc). Já na região da Fronteira Oeste, o preço registrou ligeira queda, de 0,13% (R$ 33,84/sc) e, na Depressão Central, de 2,13% (R$ 33,74/sc).






