
ANÃLISE CEPEA – Em julho, a média do arroz em casca, de R,48/sc, foi a maior, em termos reais, desde janeiro de 2009, superando em 9% a de junho/16 e em 34,7% a de julho/15 (dados deflacionados pelo IGP-DI de julho/16). O Indicador ESALQ/SENAR-RS fechou o mês a R,69/sc de 50kg.
As intenções de compra e venda estiveram mais equilibradas ao longo de julho, em relação ao mês anterior. Apesar da cautela de indústrias quanto às novas compras de casca, especialmente na última quinzena, algumas unidades acabaram cedendo a ligeiras altas para adquirir o produto. Orizicultores, por sua vez, disponibilizaram lotes conforme a necessidade de “fazer caixa†e cumprir pagamentos.
Com o enfraquecimento das vendas de arroz beneficiado aos grandes centros consumidores, algumas indústrias preferiram comprar arroz depositado em seus armazéns. Já em localidades onde os produtores estavam mais capitalizados, beneficiadoras mantiveram firmes os valores pagos para o arroz depositado e “livre†(armazenados nas propriedades rurais).
Do lado vendedor, produtores retraÃram as ofertas na medida em que atendiam aos pagamentos de safra, o que reduziu as vendas de casca na última semana de julho. Além das negociações já efetivadas, parte dos orizicultores consultados pelo Cepea confirmou a prorrogação dos vencimentos de custeio da safra 2015/16, enquanto outros não estavam certos de terem conseguido o adiamento.
Com a quebra da safra brasileira de arroz 2015/16, as importações do casca vêm crescendo, favorecidas pela desvalorização do dólar frente ao Real desde fevereiro. Na parcial de 2016 (jan-jul), o Brasil importou 464,51 mil toneladas, volume 54,5% maior que o do mesmo perÃodo de 2015. Porém, as exportações também cresceram, sendo enviadas ao mercado externo 682,3 mil toneladas, 15% a mais que nos sete primeiros meses de 2015.Â
No cenário internacional, em julho, todos os contratos futuros de arroz da Bolsa de Chicago (CME Group) acumularam queda, situação que vem sendo observada pelo terceiro mês consecutivo. De 30 de junho a 29 de julho, o vencimento Set/16 baixou 6,6%, a US$ 9,940/quintal (45,36 kg); Nov/16 e Jan/17 caÃram 6,5%, a US$ 10,215/quintal e US$ 10,430/quintal, nessa ordem. O contrato Jul/16, encerrado no dia 14, acumulou queda de 1,2% no mês, fechando a US$ 10,375/quintal.
Mercado em Mato Grosso
Em Mato Grosso, a saca de arroz casca se valorizou por mais um mês, reflexo da demanda firme e da postura retraÃda de produtores. No correr de julho, o preço médio oscilou entre R$ 70,00 e R$ 75,00/sc de 60 kg posto na indústria da região de Sinop/Sorriso, para os rendimentos de 55% a 58% de grão inteiros. Em junho, o intervalo foi de R$ 57,00 a R$ 60,00/sc de 60 kg. Com a opção de negociar outras commodities, como o milho, produtores de arroz mato-grossenses permaneceram recuados, na expectativa de aumento de preço para o casca. Devido à baixa oferta no estado e à s altas cotações, empresas afirmaram terem adquirido lotes de casca no Rio Grande do Sul.Â
Preços do arroz em casca – Outros grãos inteiros
Em julho, o preço do arroz com 59% a 62% de grãos inteiros no estado do Rio Grande do Sul subiu ligeiro 0,45%, fechando a R$ 51,09/sc de 50 kg na sexta-feira, 29. Regionalmente, apenas a Fronteira Oeste e a PlanÃcie Interna registraram aumentos, de 1,56%, entre 30 de junho e 29 de julho, com média de R$ 50,95/sc (dia 29) e 1,82%, a R$ 53,17/sc, respectivamente. Na Campanha, o preço médio recuou 0,64% (R$ 49,26/sc) no mesmo perÃodo. Na Depressão Central, a queda foi de 0,22% (R$ 50,25/sc), enquanto na Zona Sul, se limitou a 0,01% (R$ 51,13/sc). De 30 de junho a 29 de julho, na PlanÃcie Externa, o valor médio recuou 0,23% (R$ 52,53/sc).Â
Para os rendimentos de 63% a 65% de grãos inteiros, o preço médio do RS caiu 7,41% no balanço de julho, fechando a R$ 51,89/sc de 50kg no dia 29. Na região da PlanÃcie Costeira Externa, a queda foi de 3,16%, a R$ 54,00/sc. Na Depressão Central, poucos negócios ocorreram em julho, devido à baixa disponibilidade desses grãos, segundo colaboradores consultados pelo Cepea. Para o arroz de 50% a 57% de grãos inteiros, de 30 de junho a 29 de julho, o preço médio no RS caiu 1,36%, fechando o mês a R$ 49,28/sc de 50 kg.Â
Oferta e demanda mundial
Estimativas da FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura) apontam retração nas produções da Argentina e Uruguai, importantes parceiros comerciais do Brasil na importação de arroz. Quanto ao consumo mundial 2016/17, a FAO estima que haverá crescimento de 1,5%, frente à temporada anterior, indo para 502,9 milhões de toneladas. Para alimentação humana, o consumo de arroz poderá aumentar em 1,3%, em um total de 403,9 milhões, isto é, 80,3% do volume de arroz consumido no mundo. O consumo per capita está estimado em 54,3 kg/pessoa na temporada 2016/17. No consumo animal, é esperado aumento de 1,3%, equivalente a 18,2 milhões de toneladas. Para outros usos (incluindo sementes, perdas pós-colheita e uso de não-alimentação humana industrial), estima-se incremento de 2,2% (80,9 milhões de toneladas). Iniciativas governamentais de disponibilizar excedente de produção no Extremo Oriente, especialmente Japão, República da Coreia do Sul e Tailândia poderão sustentar boa parte do aumento de consumo animal e outros usos para 2016/17.






