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18.07.2016 | CEPEA - ARROZ - JUNHO / 2016

ANÃLISE CEPEA – Em junho, o Indicador do arroz em casca ESALQ/SENAR-RS, 58% grãos inteiros, subiu 14,6%, encerrando o mês a R$ 50,03/sc de 50 kg, no dia 30 – valor recorde da série histórica, iniciada em setembro de 2005 para o produto. A média mensal, de R$ 46,49/sc, superou em 11,29% a de maio/16 e 25,29% a de junho/15 (dados atualizados pelo IGP-DI de maio/16).  

O impulso veio da forte demanda de indústrias do Sudeste e Centro-Oeste. Com necessidade de repor estoques e atender aos vários pedidos do atacado e varejo dos grandes centros consumidores, indústrias cederam à pressão dos produtores por maiores preços. A boa demanda no mercado beneficiado foi determinante para que indústrias se mantivessem ativas na compra do casca. 

Orizicultores permaneceram firmes nos valores pedidos pela saca de arroz em casca em junho, alicerçados na queda do volume colhido na safra 2015/16. A prorrogação do prazo de pagamento do custeio da safra 2014/15, concedida em meados do mês, estabilizou as ofertas de casca e fez com que orizicultores aguardassem novas altas nos preços. Apesar de ficarem retraídos em quase todo o mês, produtores estiveram mais presentes no mercado na última semana de junho. Com as consecutivas altas na saca de arroz e a valorização do Real frente ao dólar, orizicultores ofertaram lotes de arroz, atentos à importação vinda dos parceiros do Mercosul. Em junho, o Real se valorizou 11,17% frente ao dólar valorizou. Vale ressaltar que, de janeiro a maio/16 houve aumento no volume importado pelo Brasil. 

Foram captadas em junho várias negociações de casca com volume acima de 10 mil toneladas e pagamentos em até 120 dias no Rio Grande do Sul. No entanto, parte dos produtores tem “feito caixa†com a comercialização de outras commodities, como a soja e o gado, não disponibilizando seus lotes de arroz. 

De maio para junho/16, a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) revisou em quase três pontos percentuais a produção brasileira da safra 2015/16, indo para 10,6 milhões de toneladas, 14,3% inferior à da safra 2014/15 – o menor volume desde a temporada 2003/04. A pressão veio da redução de 13,8% na área semeada, considerando que a produtividade média está em 6.484 kg/ha, apenas 0,6% menor que a safra 2014/15. No Rio Grande do Sul, maior produtor nacional, a produção está estimada em 7,5 milhões de toneladas, 12,8% menor que a safra 2014/15.

 

Dados do Instituto Rio-Grandense do Arroz divulgados na última semana de junho indicam que a região da Fronteira Oeste é a maior produtora do estado, colhendo 2,09 milhões de toneladas e registrando produtividade média de 7.002kg/ha na safra 2015/16. Na sequência, está a Zona Sul, com produção de 1,4 milhões de toneladas (7.849 kg/ha); a Campanha, com 1,11 milhões de toneladas (6.986 kg/ha) Na Planície Interna, a colheita foi de 976,3 mil toneladas e a produtividade média de 6.732 kg/ha; e na Planície Externa, de 870,5 mil toneladas (6.294 kg/ha). No total do Rio Grande do Sul, a colheita foi de 7,29 milhões de toneladas e a produtividade média de 6.928 kg/ha.

Já no cenário internacional, segundo dados do USDA, de maio para junho, houve poucas alterações para a produção, comércio e consumo mundiais. Para a safra 2016/17, a colheita está estimada em 480,7 milhões de toneladas, ganho de 2,1% frente à temporada 2015/16, impulsionada por aumentos na Ãndia e Tailândia – apesar das perdas na Argentina e Uruguai. 

Mercado em Mato Grosso

Ao longo de junho, o mercado de arroz em casca em Mato Grosso apresentou baixa disponibilidade. Produtores negociaram poucos lotes de arroz, ainda priorizando as atividades de colheita e comercialização do milho. Com a quebra na colheita do estado, orizicultores se mantiveram retraídos, na expectativa de novas altas para o casca. Do lado comprador, indústrias com necessidade de repor estoque estiveram presentes no mercado, tanto para o arroz depositado como para o arroz “livre†(armazenado nas propriedades rurais). Mas, com a baixa oferta na região, algumas indústrias adquiriram lotes no Rio Grande do Sul. Em junho, os preços de negociações de casca oscilaram entre R$ 57,00 e R$ 60,00/sc de 60 kg posto indústria, região de Sinop/Sorriso, para os rendimentos de 50% a 57% de grão inteiros. Para alguns lotes, ainda em junho, o valor atingiu os R$ 62,00/sc de 60 kg posto na indústria para o arroz de 55% a 57% grãos inteiros. Já em maio/16, os preços variaram entre R$ 52,00 e R$ 56,00/sc de 60 kg. 

Preços do arroz em casca – Outros grãos inteiros

Em junho, o preço médio do arroz com 59% a 62% de grãos inteiros no Rio Grande do Sul teve alta de 14,57%, encerrando o mês a R$ 50,98/sc de 50 kg. Entre as regiões, a maior alta no preço médio foi observada na Zona Sul e Planície Interna, aumento de 14,74% cada uma, fechando o mês a R$ 51,13/sc e R$ 52,22/sc de 50 kg, respectivamente. Na Fronteira Oeste, o preço médio subiu 13,8% entre 31 de maio e 30 de junho, com valor de R$ 50,17/sc (dia 30); na Depressão Central, a valorização foi de 13,04% (R$ 50,36/sc) e na Campanha, de 11,8% (R$ 49,58/sc). Na Planície Externa, o preço valorizou 16,67% em junho, encerrando o mês a R$ 52,65/sc.  

Para arroz de 50% a 57% de grãos inteiros, de 31 de maio a 30 de junho, a alta foi de 16%, fechando o mês a R$ 49,95/sc - na semana de 24 de junho a 1º de julho, o preço médio subiu 3,04%. A média mensal, de R$ 46,47/sc, subiu 11,59% frente à de maio. Na região da Zona Sul, a média mensal subiu 11%; e na Planície Cost. Interna, 14,37%. 

Para os rendimentos de 63% a 65% de grãos inteiros, o preço médio no Rio Grande do Sul também registrou alta, de 21,34%, no acumulado de junho, fechando em R$ 56,04/sc de 50 kg. A média mensal, de R$ 51,92/sc, está 16,59% acima da média de maio/16. Na região da Depressão Central, o preço mensal subiu 13%; %; na Planície Cost. Interna, teve alta de 12%; e na Planície Cost. Externa, de 11%.



  


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