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27.06.2016 | CEPEA - ARROZ - MAIO / 2016

ANÃLISE CEPEA – Pelo segundo mês consecutivo, o preço da saca de arroz em casca no Rio Grande do Sul acumulou alta devido à baixa disponibilidade. Em maio, o Indicador ESALQ/SENAR-RS, 58%, grãos inteiros, subiu 7,7%. A média do mês, de R$ 41,77/saca de 50 kg, foi 4,96% maior que a de abril/16 e 8,78% superior à de maio/15, em termos reais (valores atualizados pelo IGP-DI de abr/16).  

Com dificuldade em repor seus estoques, indústrias aumentaram os preços de compra para o arroz depositado em suas empresas e para o arroz “livre†(produto armazenado nas propriedades rurais). Apesar das queixas quanto ao repasse das altas do casca para o arroz beneficiado, de maneira geral, beneficiadoras afirmaram que o ritmo de vendas em maio esteve melhor que em abril. 

Do lado vendedor, produtores estiveram retraídos e focados na finalização da colheita da safra 2015/16, que esteve atrasada. A preocupação dos orizicultores quanto à qualidade dos grãos e à menor produtividade alimentou a expectativa de preços mais elevados para os lotes desta temporada. Assim, as vendas no correr de maio foram realizadas em pequenos lotes. Alguns produtores optaram em comercializar soja e/ou gado em detrimento do arroz.  

Quanto à colheita da safra 2015/16, quase 99% da área havia sido colhida até o dia 27 de maio. Segundo o Irga (Instituto Rio Grandense), a produtividade média chegou a 7.045 kg/hectare.  

Mercado externo brasileiro

Segundo dados da Secex de janeiro a maio/16, a balança comercial brasileira esteve superavitária em 283,6 mil toneladas (eq. casca), volume superior ao do mesmo período de 2015 (259,6 mil toneladas). Mesmo com o aumento da importação nos primeiros cinco meses de 2016, as exportações também cresceram, devido à valorização de 27,6% do Real frente ao dólar neste ano frente ao mesmo período de 2015 (jan-maio).  

O volume exportado em maio deste ano foi de 109,7 mil toneladas, retração de 10,5% frente a abril/16. Já no acumulado de jan-maio/16, a exportação alcançou 583,5 mil toneladas, volume 12,4% maior que no mesmo período de 2015. A importação brasileira, por sua vez, cresceu 10% de abril para maio/16, totalizando 71,2 mil toneladas. Na parcial de 2016 (jan-maio), as compras aumentaram 16% frente às de 2015, somando 259,9 mil toneladas importadas.  

Mercado em Mato Grosso

O mercado de arroz em casca em Mato Grosso também apresentou baixa oferta em maio, mesmo com a colheita praticamente finalizada. Recuados, produtores disponibilizaram poucos lotes de arroz à venda, dando prioridade às atividades de colheita de milho. No relatório de maio/15, a Conab estimou menor produção na safra 2015/16, com expectativa de maiores preços, reforçando a posição retraída. Indústrias, por sua vez, estiveram ativas, com necessidade de novas aquisições para atender a demanda dos setores atacadista e varejista. No período, os preços de negociações de casca estiveram entre R$ 55,00 e R$ 60,00/sc de 60 kg, posto Sinop/Sorriso, para os rendimentos de 50% a 57% de grão inteiros; frente aos R$ 50,00 e R$ 56,00/sc registrados em abril/16.  

Preços do arroz em casca de 59% a 62% de grãos inteiros

Em maio, o preço de arroz com 59% a 62% de grãos inteiros no Rio Grande do Sul aumentou 8,12%, a R$ 44,39/sc de 50 kg no encerramento do mês. Entre as regiões, de 29 de abril a 31 de maio, o maior aumento foi observado na Depressão Central, de 10,94%, com valor médio de R$ 44,55/sc (dia 31); seguida pela Campanha, de 10% (R$ 44,35/sc). Na Planície Interna, no mesmo período, a valorização foi de 8,56% média de R$ 45,12/sc, no dia 31. Na Fronteira Oeste, alta de 7,27% (R$ 44,06/sc) e, na Zona Sul, de 6,05% (R$ 44,18/sc). Na Planície Externa, entre 27 de abril e 30 de maio, o preço médio acumulou alta de 11,4%a R$ 45,13/sc.  

Cenário internacional

Em maio/16, o Ãndice do Arroz FAO (composto por 16 preços de referência de exportação) subiu 1,8% frente a abril/16, atingindo o maior valor desde novembro/15, puxado pelas cotações mais elevadas para os tipos Indica (de alta e baixa qualidades) e para o arroz Aromático. Dos 14 preços divulgados pela FAO, de abril/16 para maio/16, apenas o arroz Califórnia (grão médio), dos Estados Unidos, registrou queda de 4,78%; já o arroz (grão longo) teve ligeira alta de 0,45%. Na Tailândia, o arroz 100% branco se valorizou 11,7%; o 100% parboilizado, 10,4% e, o arroz 25% de quebrado, 8,3%.  

Dados da FAO, divulgados dia 2 de junho, apontaram crescimento de 0,9% na produção mundial 2016/17, indo para 494,4 milhões de toneladas – a safra 2015/16, estimada em 490,1 milhões de toneladas, foi marcada por condições climáticas irregulares por causa do El Niño.  

Com o aumento da demanda humana, o consumo mundial 2016/17 poderá ser 1,3% maior frente ao anterior, chegando a 502,6 milhões de toneladas de arroz beneficiado, ainda segundo a FAO. O consumo per capita mundial está estimado em 54,6 kg, ligeiramente maior que os 54,5 kg da temporada 2015/16. A expectativa é que a alimentação animal permaneça com volume de 18 milhões de toneladas, com concentração em países asiáticos. Quanto às demais utilizações, que incluem perdas após colheita, foi estimada alta de 1,27% na safra 2016/17, total de 79,8 milhões de toneladas.



  


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