
ANÃLISE CEPEA - PERSPECTIVA 2016 – Para o ano de 2016, dados indicam expectativas de preços firmes para o arroz em casca no Rio Grande do Sul. Para a safra 2015/16, a oferta de casca poderá caminhar ajustada ou aquém da demanda, diante do baixo estoque e da redução nas produções brasileira e mundial, devido à interferência do El Niño no perÃodo de semeio e no desenvolvimento da safra 2015/16.
Agentes consultados pelo Cepea indicam posição retraÃda para o inicio de 2016, especialmente vendedores, que aguardam alta nos preços. As frequentes chuvas na região Sul do Brasil, que colhe em torno de 80% da produção nacional, e a possÃvel quebra de safra 2015/16 podem resultar em aumento nos gastos com os tratos culturais da lavoura, que serão somados aos maiores preços dos defensivos agrÃcolas e também da energia.
Dados da Conab divulgados no dia 12 de janeiro indicam que a produção brasileira da safra 2015/16 poderá ser 6,5% menor que à anterior, indo para 11,6 milhões de toneladas – a menor das últimas quatro temporadas. Este cenário pode resultar da retração na área semeada, de 6,6%, visto que é esperada estabilidade na produtividade média nacional, de 5.425 kg/ha. O estoque brasileiro de arroz (privado e público) para as safras 2014/15 e 2015/16, de 666,9 e 295,7 milhões de toneladas respectivamente, está entre os menores em mais de uma década.
Segundo a Companhia, a queda na estimativa de colheita 2015/16 é resultado do atraso no semeio das lavouras nos principais estados produtores, devido à s adversidades climáticas. No Rio Grande do Sul (principal), a colheita 2015/16 está estimada em 7,96 milhões de toneladas, retração de 7,7% frente à anterior, pressionada pela redução na área semeada (3,3%) e queda na produtividade (4,5%). Já o segundo produtor nacional, Santa Catarina, poderá colher 1,9% a mais, puxado pelo aumento na produtividade, visto que é esperada estabilidade na área.Â
Para Tocantins, Mato Grosso e Maranhão, destaques fora da região Sul, foram estimadas retrações na colheita 2015/16, prejudicadas pelo atraso na chegada das chuvas. Tocantins poderá ter queda de 2,2% na produção, pressionada pela queda na área semeada (4,7%); Mato Grosso deve ter retração de 7,6% na colheita, em decorrência da queda de 12,6% na área plantada, já que a produtividade esperada é de 3.444 kg/ha (5,7% maior). No Maranhão, a concorrência com a soja e a baixa lucratividade do arroz podem desestimular o semeio, com queda esperada de 18,3% na área e volume 13,6% menor frente à safra 2014/15. Com isso, a Conab estima aumento de 81,8% na importação para a próxima temporada e queda de 15,47% na exportação. Entretanto, a manutenção do dólar valorizado frente ao Real pode alterar esse cenário ao longo do ano.
No mercado internacional, apesar da revisão positiva na produção mundial frente ao relatório de dezembro/15, o USDA estimou em janeiro/16, queda de 1,7% na produção mundial 2015/16, para 470 milhões de toneladas – a menor em quatro safras.Â
São esperados recuos nas colheitas da China e Ãndia, importantes produtores e consumidores mundiais. Para o estoque mundial também está prevista expressiva retração, de 13,6%, com destaque para retrações na Ãndia e Tailândia. Quanto à comercialização, é esperada ligeira alta, de 0,3% na safra 2015/16, frente à anterior, devido à demanda de paÃses do sudeste asiático.Â
BALANÇO DE JANEIRO/16 – Ao longo de janeiro, o mercado do arroz em casca seguiu em alta no Rio Grande do Sul devido à baixa disponibilidade e à demanda firme das indústrias. Produtores estiveram recuados, vendendo seus lotes somente para “fazer caixa†e atentos ao desenvolvimento da lavoura 2015/16, favorecidos pela trégua dada pelas frequentes e fortes chuvas nos últimos meses de 2015. Do lado comprador, indústrias estiveram ativas para novas aquisições de arroz depositado e “livre†(armazenados nas propriedades rurais).
O Indicador ESALQ/SENAR-RS, 58% grãos inteiros subiu 3,3% no mês, fechando a R$ 42,36/sc de 50 kg no dia 29. A média mensal, de R$ 41,52/sc de 50 kg, ficou ligeiro 1,26% maior que a de dezembro/15, entretanto, 1% inferior à de janeiro/14 (valores atualizados pelo IGP-DI de dezembro/15).






