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03.02.2016 | CEPEA - ARROZ - DEZEMBRO / 2015

ANÃLISE CEPEA - RETROSPECTIVA 2015 – Em 2015, a média do Indicador ESALQ/SENAR-RS (arroz em casca, Rio Grande do Sul) foi de R$ 36,98/sc de 50 kg, aumento de 1,9% frente à de 2014 e a maior média anual de toda a série histórica do Cepea (iniciada em 2005).  

Os estoques nacionais baixos e o bom desempenho das exportações brasileiras deram impulso aos preços internos no correr do ano. Apesar da alta no acumulado de 2015, o mercado foi marcado por dois cenários distintos, um para o primeiro semestre e outro para o segundo.  

Nos primeiros seis meses do ano, apesar do lento avanço da colheita, o preço do casca caiu devido à posição retraída das beneficiadoras gaúchas. A pressão veio do carregamento dos lotes adquiridos nos leilões da Conab realizados no segundo semestre de 2014, da boa produção brasileira na safra 2014/15 (alta de 2,7% frente a 2013/14) e das entregas de arroz em casca para cumprir o pagamento de insumos firmados antes do semeio da nova safra. Além disso, a dificuldade para renovar o financiamento de pré-custeio para a safra 2015/16 por meio do FGPP (Financiamento de Garantia de Preços ao Produtor), contribuiu para o aumento da oferta.  

De 30 de dezembro de 2014 a 30 de junho de 2015, o Indicador ESALQ/SENAR-RS, 58% grãos inteiros registrou expressiva queda de 11,5%, fechando a R$ 33,67/sc de 50kg. Já de 30 de junho a 30 de dezembro, o Indicador se recuperou e subiu 21,8%.  

No cenário internacional, segundo dados da FAO, a safra 2014/15 resultou em boa colheita e uma relação estoque/consumo de 18,30%. As estimativas para a temporada 2015/16 indicavam aumento na produção devido ao clima favorável no continente asiático (maior produtor mundial) e ao bom andamento do semeio de arroz nos Estados Unidos. O Ãndice FAO (16 preços internacionais de exportação) retraiu em todo o período, pressionado pelos leilões de venda dos estoques da Tailândia – importante exportador mundial. Já em junho/15, os relatórios sinalizavam mudanças nas previsões de produção devido a problemas climáticos relacionados ao El Niño.

Depois de cair nos primeiros seis meses e registrar tímida alta de 0,7% em julho, o preço da saca de arroz em casca seguiu em alta no restante do ano. Orizicultores reduziram as vendas após o anúncio de prorrogação das parcelas de custeio da safra 2014/15 para o final de 2015, do acesso ao EGF (Empréstimo do Governo Federal) e até mesmo da liberação do custeio da próxima temporada (2015/16). Com isso, produtores planejaram suas vendas de casca a fim de alcançar o maior preço médio, disponibilizando seus lotes à medida que necessitavam “fazer caixaâ€. 

Outro fator que contribuiu para a retração vendedora foi o aumento nos custos de produção da safra 2015/16, devido às altas nos preços dos insumos (como defensivos e energia), somado às frequentes chuvas ocorridas no Rio Grande do Sul nos meses de outubro e novembro, que prejudicaram o andamento do semeio da nova temporada.  

Do lado comprador, mesmo cautelosas, indústrias pagaram valores maiores durante todo o período para adquirirem lotes de arroz depositado e “livre†(depositado nos armazéns das propriedades rurais). Apesar das constantes queixas quanto ao lento repasse da valorização do casca para o preço do arroz beneficiado, empresas do Rio Grande do Sul e também das regiões Sudeste e Centro-Oeste apontavam a necessidade de atender a demanda dos mercados doméstico e externo.  

A valorização do dólar frente ao Real favoreceu o bom desempenho das exportações brasileiras em 2015, enquanto as importações foram desaquecidas. De acordo com a Secex, de jan-nov/15, a balança comercial do arroz está superavitária, em 700,1 mil toneladas, mais que o dobro do mesmo período de 2014. Na parcial de 2015 (jan-nov), os embarques totalizam 1,16 milhão de toneladas, 9,3% superior ao volume exportado entre jan-nov/14. Já as importações recuaram 42,6% no mesmo período, totalizando 463,9 mil toneladas. 

Em dezembro/15, o Ãndice do Arroz FAO (que é composto por 16 preços de referência de exportação) subiu apenas 0,51%, depois de registrar queda por quinze meses consecutivos. Em 2015, o Ãndice acumula retração de 12,1%.  

Em 2015 (dez/14-dez/15), segundo relatório da FAO, todos os 14 valores de exportação divulgados acumularam queda, sendo a maior observada para o arroz Thai Aromático, de 26,1%; seguido pelo Paq Basmati, de 19,1%. O arroz EUA (grão médio) caiu 16,4%; e o arroz Uruguai 5% de quebrados, 16,3%, no mesmo período. O arroz Thai 5% de quebrados teve queda de 13,4%; o Thai parboilizado, de 12,9%; e o Thai 100% branco, de 12,6%. O arroz Paq e o Thai de 25% de quebrados recuaram 10,6% cada um. O arroz Ãndia 25% de quebrados caiu 6,9% no ano; o EUA (grão longo), 5,4%; Vietnã 5% de quebrados, 4,9%; e o Vietnã 25%, 2,8%. Já o arroz A1 (arroz quebrado) foi o único a permanecer estável no período.



  


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