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24.11.2015 | CEPEA - ARROZ - OUTUBRO/2015

ANÃLISE CEPEA – Em outubro, o Indicador ESALQ/SENAR-RS (58% grãos inteiros) acumulou alta de 2,2% no mês, fechando a R$ 40,80/saca de 50 kg no dia 30 – no dia 29, o Indicador fechou a R$ 40,99/sc, o maior patamar nominal da série histórica do Cepea, iniciada em 2005. A média mensal do Indicador, de R$ 40,49/sc, foi 7,6% superior à de setembro/15 e apenas 1,45% maior que a de outubro/14 (valores atualizados pelo IGP-DI de set/15).

Com orizicultores retraídos, representantes de indústrias das regiões Sul, Sudeste e do Centro-Oeste ofertaram valores maiores para adquirir lotes e atender a demanda de setores atacadista e varejista, além dos contratos de exportação. Porém, após terem reposto seus estoques, algumas empresas reduziram seus preços ou até mesmo saíram do mercado momentaneamente.  

Orizicultores estiveram e atentos às atividades de campo em outubro, disponibilizando seus lotes somente diante da necessidade de “fazer caixa†para pagamento dos compromissos das safras 2015/16 e 2014/15. As constantes e fortes chuvas ocorridas no Rio Grande do Sul dificultaram bastante o carregamento do arroz negociado e o avanço do semeio da próxima safra. Algumas propriedades rurais ficaram inundadas e sem energia e pontes foram interditadas, dificultando o transporte. 

 

Quanto ao semeio da safra 2015/16, dados do Irga (Instituto Rio Grandense do Arroz) divulgados no dia 30 apontaram que 38,2% da área estimada (1,083 milhão de hectares) foram plantadas, bem inferior aos 51,08% do mesmo período de 2014. Na Fronteira Oeste, o semeio atingiu 59,55% da área (312,1 mil hectares) – se mantendo na dianteira entre as regiões. Na Zona Sul, o plantio estava em 48,81%; na Campanha, em 37,49%; na Depressão Central, em 22,11%; na Planície Interna, em 18,81%; e na Planície Externa, em 15,1%. 

No cenário internacional, segundo relatório da FAO de outubro/15, a queda na produção mundial de arroz na safra 2015/16 é resultado das condições climáticas desfavoráveis, por conta do El Niño em vários países produtores. No continente asiático, onde estão os maiores produtores de arroz, as chuvas insuficientes ou até mesmo tardias prejudicaram a cultura na Indonésia, Camboja, Ãndia, Tailândia e Vietnã. Já em Burma, tempestades e enchentes reduziram as estimativas de colheita da próxima temporada.  

Nos Estados Unidos, importante exportador, a expectativa é de queda de 15% na produção, pressionada pelas reduções de área e de produtividade. Na Oceania, previsões para a Austrália indicam queda de 12% na produção, em função do menor plantio, reflexo dos altos preços cobrados pela irrigação. No continente africano, lavouras no Egito e Madagascar foram prejudicadas pelas altas temperaturas e chuva irregular, que também atingiram as plantações da Nigéria e Gana. Nas demais regiões, as perspectivas são positivas para a produção de arroz, puxadas pela produção em países da América do Sul (Brasil, Colômbia, Guiana e Peru).  

Quanto à oferta e demanda mundial, dados do USDA divulgados no dia 30 de outubro feira mostram que a produção global na safra 2015/16 foi revisada para baixo, em 1% frente à temporada anterior, indo para 474 milhões de toneladas. O resultado foi pressionado pelas reduções na Ãndia e Tailândia. Já para o consumo mundial, é esperado aumento de 0,6% (487 milhões de toneladas) frente à safra 2014/15, enquanto o comércio mundial pode ser 1,04% menor. 

Mercado em Mato Grosso

Em outubro, a oferta de arroz em casca em Mato Grosso também seguiu baixa, o que elevou o preço da saca, apesar das queixas quanto ao enfraquecimento das vendas de arroz beneficiado. Com a retração vendedora, indústrias demonstraram interesse em adquirir lotes de arroz “livre†(armazenado nas propriedades rurais), pagando valores maiores para fechar negócios. Produtores, por sua vez, negociaram de acordo com a necessidade de “fazer caixa†para pagamento dos compromissos de safra. Além disso, orizicultores de MT estiveram atentos ao clima.  

Em outubro, o preço médio da saca subiu 8,6%; com os lotes de arroz em casca de 55% a 58% grãos inteiros oscilando entre R$ 50,00 e R$ 51,00/sc de 60 kg posto na região de Sinop/Sorriso. Em setembro, os valores ficaram entre R$ 46,00 e R$ 47,00/sc. 

Preços do arroz em casca 60% de grãos inteiros

Em outubro, o preço médio do arroz de 60% de grãos inteiros no Rio Grande do Sul registrou alta de 2,39%, encerrando o mês a R$ 41,55/sc de 50 kg (dia 30). Entre as regiões consultadas pelo Cepea, a maior valorização média ocorreu na região da Zona Sul, de 3,21%, a R$ 42,84/sc (no dia 30). Na Depressão Central, o aumento foi de 2,39% (R$ 40,68/sc); na região da Planície Interna, de 2,27% (R$ 42,79/sc); na Fronteira Oeste, de 2,06% (R$ 40,91/sc) e na Campanha, de 1,98% (R$ 40,10/sc).



  


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