
ANÃLISE CEPEA – Em setembro, o Indicador ESALQ/SENAR-RS (58% grãos inteiros) subiu expressivos 10,8%, encerrando o mês a R$ 39,91/sc de 50 kg, o maior patamar nominal da série histórica do Cepea, iniciada em 2005. A média mensal, de R$ 37,64/sc de 50 kg, foi 8,73% maior que a de agosto/15, mas 5,1% inferior à de setembro/14, em termos reais (valores atualizados pelo IGP-DI de agosto/15). Â
Do lado comprador, mesmo cautelosas, indústrias tiveram que pagar valores maiores para adquirir novos lotes de arroz depositado e de arroz “livre†(depositado nos armazéns das propriedades rurais). Apesar das constantes queixas quanto ao lento repasse da valorização do casca para o preço do arroz beneficiado, empresas do Rio Grande do Sul e de outras regiões precisaram atender as demandas doméstica e externa. Â
Produtores mantiveram suas vendas restritas a poucos lotes, acreditando que os preços devem seguir em alta nos meses de entressafra. Parte dos orizicultores afirmou que não houve necessidade de “fazer caixaâ€. Muitos estiveram atentos aos impactos da valorização dos insumos, como defensivos e energia, nos custos de produção da safra 2015/16. Vale ressaltar que, em setembro, as frequentes chuvas no Rio Grande do Sul prejudicaram a retirada dos lotes de casca de algumas propriedades rurais, o que valorizou os lotes de arroz “livre†(depositado nas propriedades rurais), mais próximos das indústrias.Â
Além disso, o volume de arroz importado foi menor no mês, por conta da forte valorização do dólar frente ao Real. As importações brasileiras recuaram 41,8% na parcial de 2015 (jan-ago), de acordo com a Secex. Â
Quanto à safra 2015/16, relatório da Emater/RS divulgado no dia 1º de outubro indicou que o semeio atingiu 13% da área esperada, abaixo dos 20% da média dos últimos cinco anos. As áreas já semeadas até o final de setembro referiam-se à s pré-germinadas nos locais de fácil manejo das águas; já nas demais áreas produtoras, o excesso de umidade dificultou o avanço. Â
De acordo com dados do Irga, até o dia 2 de outubro, o semeio do arroz no Rio Grande do Sul estava em 13,21% da área, estimada em 1,08 milhão de hectares. Quanto à s regiões, a Fronteira Oeste mantém a dianteira, com 28,79% da área semeada; seguida pela Zona Sul, com 19,43%. Na Campanha, o semeio atingiu 6,71%; na Depressão Central, 3,44% e na PlanÃcie Interna, apenas 1,72%.Â
No cenário internacional, relatório do USDA aponta redução de 1% na produção de arroz nas Filipinas na safra 2015/16 frente à temporada anterior, devido ao perÃodo de seca causado pelo El Niño. Com isso, a estimativa de importação para a safra 2015/16 aumentou 11%. No inÃcio de setembro, o governo das Filipinas aprovou a importação adicional de 750 mil toneladas de arroz beneficiado para serem entregues no último trimestre deste ano e no primeiro trimestre de 2016, tendo como parceiros o Vietnã e a Tailândia.  Â
Quanto à produção mundial safra 2015/16, de acordo com dados do USDA, a colheita poderá ser menor pela primeira vez desde 2009/10, estimada em 475,7 milhões de toneladas. A ligeira retração do volume mundial, de 0,59%, é resultado de inundações, de secas e de calor extremo em grandes paÃses produtores, como Birmânia, Egito, Indonésia e Filipinas. Já nos Estados Unidos, a estimativa de queda na colheita está ligada à redução de área semeada nesta temporada.Â
Interessante observar que o estoque mundial, considerando-se os maiores exportadores conjuntamente (Ãndia, Paquistão, Tailândia, Estados Unidos e Vietnã), é o menor dos últimos quatro anos – o que contribui para a redução da oferta global. Espera-se retração de 11,4% no estoque global da safra 2014/15 para a 2015/16. Por outro lado, o consumo mundial continua a se expandir com o crescimento da população, podendo chegar a 487,4 milhões de toneladas (+0,68%).
 Mercado em Mato Grosso
Em setembro (até dia 25), o preço do arroz em casca seguiu firme, após subir por dois meses consecutivos. Do lado vendedor, produtores mantiveram-se retraÃdos, atentos à s atividades de lavouras, como a colheita de milho, e/ou esperando maiores preços para os próximos meses. Já indústrias estiveram presentes no mercado de arroz, entretanto, mais cautelosas quanto a aumento de preço da saca. De acordo com representantes de empresas, as vendas de arroz beneficiado se enfraqueceram neste mês frente ao anterior. Até o dia 25 de setembro, o preço do arroz em casca de 55% a 58% grãos inteiros esteve entre R$ 46,00 e R$ 47,00/sc de 60 kg, na região de Sinop/Sorriso – acompanhando os valores de negócios da segunda quinzena de agosto/15.   Â
Preços do arroz em casca 60% de grãos inteiros
Em setembro, o preço médio do arroz em casca com 60% de grãos inteiros teve expressiva alta de 11,81% no Rio Grande do Sul. A maior valorização mensal ocorreu na região da PlanÃcie Costeira Interna, de 13,41% (R$ 41,60/sc); seguida pela Depressão Central, de 12,96% (R$ 39,39/sc). Na Campanha, o valor médio teve alta de 12,88% (R$ 40,17/sc); e na Zona Sul, de 11,82% (R$ 41,62/sc). Na Fronteira Oeste, o aumento foi de 10,83% (R$ 40,86/sc).






