
ANÃLISE CEPEA – Diante do expressivo recuo no valor da saca do arroz em casca nos últimos dois meses (de 7,5%), orizicultores se retraÃram ainda mais para novas vendas em março. Com isso, o Indicador ESALQ/Bolsa Brasileira de Mercadorias-BM&FBovespa (Rio Grande do Sul, 58% grãos inteiros) recuou ligeiro 0,77%. No correr do mês, as atenções de vendedores estiveram voltadas à colheita do arroz e também da soja, atividade que foi favorecida pelo clima. Â
Indústrias, por sua vez, mantiveram o interesse em novas aquisições. No geral, o ritmo de vendas de arroz beneficiado aos grandes centros consumidores se aqueceu em relação a fevereiro, mas as cotações se mantiveram estáveis. Os setores atacadista e varejista esperam desvalorizações do arroz em casca com a chegada da nova colheita. Â
De acordo com a Conab, março se inicia oficialmente o ano-safra da temporada 2014/15. A companhia revisou os dados de importação e exportação do perÃodo mar/14 a fev/14, o que resultou em estoque final de 803,7 mil toneladas em fev/15. Para o perÃodo de mar/15 a fev/15, a Conab estima que as importações fiquem em 850 mil toneladas de arroz em casca.Â
Assim, o estoque inicial de 2014/15 somado à produção e à s importações resultam em disponibilidade interna de 13,8 milhões de toneladas, podendo ser a menor em mais de uma década. Deste total, a estimativa da Conab é de que o consumo interno fique em 12 milhões de toneladas de arroz em casca e outros 1,25 milhão de toneladas sejam exportadas. Se isso ocorrer, ao final em fev/16 estará em 555,2 mil toneladas, volume considerado baixo.Â
Em relação à colheita da safra 2014/15, de acordo com dados do Emater/RS, chegou a 60% da área plantada até o final de março, favorecida pelo clima seco, 13 pontos percentuais a menos que no mesmo perÃodo da temporada anterior. Quanto à produtividade, a avaliação é positiva para a região da Fronteira Oeste e para os municÃpios de Arroio Grande e Rio Grande, na Zona Sul. Já em Tavares, o rendimento está em torno de 6.500 kg/há, devido à incidência de doenças fúngicas (especialmente a brusone); enquanto a média estadual da safra 2013/14 foi de 7.487kg/ha.Â
Na mesma direção, de acordo com o Irga (Instituto Rio Grandense do Arroz), a colheita atingiu 64,4% dos 1,12 milhão de hectares semeadas na safra 2014/15. Entre as regiões, a PlanÃcie Externa está na dianteira, com 76,3% da área colhida; seguida pela Fronteira Oeste, com 74%. Depressão Central e Campanha mantêm-se nas últimas posições, com 50,2% e 51,5%, respectivamente.   Â
Quanto à s exportações brasileiras de arroz, em março/15, segundo dados da Secex, foram embarcadas 142,5 mil toneladas, volume 186% superior ao de fevereiro/15. Já no acumulado do primeiro trimestre de 2015, as vendas recuaram 14,6% (262,2 mil toneladas) em relação ao mesmo perÃodo de 2014. Em mar/15, o faturamento foi de US$ 42,9 milhões, o que resultou do preço médio de R$ 47,42/sc 50 kg (considerando-se o dólar de R$ 3,14), 36,6% superior ao de mar/14 (R$ 34,71/sc 50 kg).Â
No cenário internacional, segundo dados da FAO, em março/15, o Ãndice do Arroz da FAO (que é composto por 16 preços de referência de exportação) registrou leve queda, de 0,45%, frente ao de fevereiro/15, e de 2,2% em relação ao de dezembro/14. A pressão nos valores de exportação veio da Tailândia, devido ao leilão de arroz do estoque do governo tailandês, do produto ofertado pelos Estados Unidos e paÃses da América do Sul e da chegada da nova safra nos paÃses do Sul. Ainda segundo a FAO, de fevereiro para março/15, dentre os 14 tipos de arroz divulgados, 10 se desvalorizaram; sendo a maior para o arroz Tai 100% parboilizado, de 3,26%; e o Tai 100% branco, de 2,56%. O arroz Tai 5% de grãos quebrados teve queda de 2,38%; e o Tai 25% de quebrados, 2%. Entre os tipos que subiram estão o arroz Vietnã 25%, com alta de 3,29% e o arroz Vietnã 5%, com 3,12%.






