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11.02.2015 | CEPEA - ARROZ - JANEIRO / 2015

ANÃLISE CEPEA – As informações disponíveis até janeiro apontavam um mercado sem grandes novidades em 2015. Não havia nenhum fator de grande impacto esperado para este ano. Com isso, apenas alterações climáticas, que afetem negativamente a produtividade, especialmente no Rio Grande do Sul, e/ou choques da exportação, do lado da demanda, poderiam alterar os níveis de preços no mercado interno. 

Com foco no primeiro semestre, principalmente, somente a taxa de câmbio deve operar em 2015 em nível mais elevado que em 2014. Com isso, as paridades de exportação e importação seriam alteradas. Não havia sinalização de alterações nas importações, por se tornarem mais caras com o dólar valorizado, mas as exportações podem se tornar mais atrativas para vendedores. Por enquanto, porém, a estimativa de volume a ser embarcado permaneça semelhante ao de 2014, conforme dados da Conab. 

Do lado da oferta, dados da Conab indicavam que no final de fevereiro deverá haver estoque de cerca de 1 milhão de toneladas da safra 2013/14. Este volume é um pouco inferior ao registrado fev/14. O estoque do Governo Federal também estava baixo. Informações do Portal da Transparência de Gestão dos Estoques Públicos apontam apenas 357,1 mil toneladas de arroz à disposição. Em 2014, o Governo vendeu 557,6 mil toneladas de arroz que estavam em estoques, dos quais 276,9 mil toneladas foram vendidas nos seis leilões realizados de setembro a dezembro. Esta oferta adicional não foi suficiente para segurar as altas de preços, fechando o ano de 2014 com o maior preço mensal (dezembro) em dois anos, em termos reais. 

Para a safra 2014/15, dados oficiais não apontavam alterações bruscas de área cultivada em nível nacional, que deverá ficar em 2,36 milhões de hectares. Porém, é relevante estar atento para a concorrência entre o arroz da Região Sul e o das demais regiões brasileiras, como do Centro-Oeste e Nordeste. 

No geral os dados da Conab apontavam para um cenário mais otimista em produtividade, comparativamente a 2014. Somente para o Nordeste há estimativa de rendimento agrícola menor, pressionado por dados do Maranhão e Piauí. 

Assim, de acordo com informações divulgadas em dezembro/14 pela Conab, a disponibilidade interna total deve ser de 14,2 milhões de toneladas. Além do estoque inicial e da oferta estimada, a Conab também considerava a importação de 1 milhão de toneladas de arroz em casca. Esta disponibilidade interna era praticamente igual à da safra anterior - no menor nível em 12 anos. Vale considerar, ainda do lado da oferta, que agentes consultados pelo Cepea sinalizaram que boa parte dos produtores do Rio Grande do Sul já havia vendido volume significativo da safra 2013/14 até dezembro/14 e que em janeiro o arroz em casca estava nas mãos de poucos produtores, que optaram por manter o produto estocado. 

Do lado da demanda, indústrias do Rio Grande do Sul firmaram novos compromissos de exportação nos últimos dois meses de 2014. Parte dos contratos será exercido no início de 2015 e anterior à chegada da nova safra (2014/15). Também há expectativa de que os setores atacadista e varejista estarão mais compradores, repondo seus estoques. 

A Conab, porém, estima demanda interna de 12 milhões de toneladas de arroz em casca, semelhante ao da safra 2013/14. Do ponto de vista das exportações, importante observar que ao longo de 2014 o dólar se valorizou frente ao real, favorecendo os embarques de arroz brasileiro. A média do R$/US$ no segundo semestre de 2014 foi 4,7% superior à média dos primeiros seis meses do ano e não há sinalização de pressão na taxa em 2015. Mesmo assim, a Conab estimou embarques de 1,2 milhão de toneladas em 2014/15 (março de 2015 a fevereiro de 2016), em linha com o registrado nas duas safras anteriores. 

Com base nas relações de suprimento e de demanda, os estoques finais da safra 2014/15, em fev/15, devem permanecer em cerca de 1 milhão de toneladas. Este nível também seria registrado pelo terceiro ano seguido. 

No primeiro mês de 2015, o mercado spot do arroz em casca no Rio Grande do Sul seguiu com baixa liquidez. Indústrias mantiveram-se cautelosas para novas aquisições, ofertando preços mais elevados somente nos momentos em que havia a necessidade de atender a demanda doméstica e para cumprir contratos de exportação. Algumas empresas estiveram fora de mercado em boa parte do mês, enquanto outras estavam retirando os lotes arrematados nos leilões de venda do governo federal. Neste cenário, o preço médio recuou em meados do mês, recuperando-se na última semana.    

Em janeiro, o Indicador ESALQ/Bolsa Brasileira de Mercadorias-BM&FBovespa (Rio Grande do Sul, 58% grãos inteiros) registrou alta de 1,1%, encerrando o mês a R$ 38,44/sc de 50 kg. A média mensal de janeiro, de R$ 38,16/sc, é a maior desde dezembro/12 e está apenas 0,46% acima da média de dezembro/14, e 0,84% superior à média de janeiro/14 (valores deflacionados pelos IGP-DI de dezembro/14). 



  


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