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13.11.2014 | CEPEA - ARROZ - OUTUBRO/2014

ANÃLISE CEPEA – Em outubro, o Indicador ESALQ/Bolsa Brasileira de Mercadorias-BM&FBovespa (Rio Grande do Sul, 58% grãos inteiros) registrou ligeira alta de 0,6%, fechando a R$ 36,86/sc de 50 kg na sexta-feira, 31. Entretanto, a média mensal foi de R$ 36,74/sc, 0,2% inferior à de setembro/14, mas 9% maior que a de outubro/13 – valores deflacionados pelo IGP-DI de setembro/14.  

Na maioria das regiões produtoras, o casca se valorizou em outubro, sendo que a maior alta foi registrada na Planície Interna, de 1,3%. Com a menor oferta de arroz de 55% grãos inteiros por 13% de quebrados, indústrias desta região buscaram lotes de arroz de 58% grãos inteiros por 10% de quebrados para parboilizar. Na Fronteira Oeste, a elevação foi de 0,9%; seguida pela Campanha, de 0,8% e da Zona Sul, de 0,2%. Somente na Depressão Central os preços recuaram levemente (-0,7%). 

Orizicultores do Rio Grande do Sul estiveram voltados para as atividades de semeio da safra 2014/15. A volta do sol e as temperaturas mais elevadas em meados do mês favoreceram o plantio. Com isso, produtores estiveram mais ativos no mercado apenas a partir da segunda quinzena, quando necessitavam “fazer caixa†para quitar pagamentos relativos à temporada. 

Indústrias, por sua vez, mantiveram o interesse pelo casca durante todo o mês, apesar das queixas quanto às vendas de arroz beneficiado aos grandes centros consumidores. Com isso, beneficiadoras ofertaram valores ligeiramente maiores para os lotes disponíveis no mercado spot, especialmente para o produto depositado nos armazéns. Além disso, o dólar se valorizou 10% frente ao Real nos dois últimos meses (setembro e outubro), favorecendo novos contratos de exportação de arroz brasileiro. 

Em outubro, o Governo Federal disponibilizou em leilões quase 77 mil toneladas de arroz, das quais pouco mais de 73 mil toneladas foram arrematadas pelas indústrias gaúchas, indicando necessidade de repor estoques. No último leilão, no dia 30 de outubro, foram vendidos 97,5% do volume ofertado (36,6 mil toneladas). De todos os 34 lotes, somente um teve queda no preço de fechamento e dois permaneceram estáveis, frente ao valor de abertura. O preço médio de fechamento do leilão foi de R$ 35,27/sc de 50 kg, expressiva alta de 9,16% frente ao de abertura, de R$ 32,19/sc.  

Houve certa divergência quanto aos dados de semeio do arroz em casca no Rio Grande do Sul. Segundo o Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), até o dia 30 de outubro foram plantadas 51,08% da área estimada para a safra 2014/15. Já o levantamento da Emater/RS, divulgado no último dia 29, estima em 33% a área total semeada.  

A primeira estimativa da safra 2014/15 divulgada pela Conab no dia 8 de outubro apontou que a área nacional pode ficar entre 1,48 milhão de hectares (-5,8%) e 1,66 milhão de hectares (+4%). Ainda segundo dados da Conab, a produtividade média esperada é estimada 5.314 kg/há, alta de 4,3%. Com isso, a produção nacional de arroz em casca está estimada entre 11,92 e 13,22 milhões de toneladas, que, sobre a temporada anterior, representa variação entre -2% e +8,7%. O estoque final da temporada 2013/14 está estimado em 1,04 milhão de toneladas, em 28 de fevereiro de 2015, em linha com o ano anterior.  

Para 2014/15, além do estoque inicial, a produção média estimada é de 12,57 milhões de toneladas de arroz em casca e as importações de 1 milhão de toneladas. Com isso, entre mar/15 e fev/16, o Brasil deve ter 14,6 milhões de toneladas disponíveis para comercialização. Destes, cerca de 12 milhões devem ser consumidos internamente e outros 1,2 milhão, exportados. Com isso, os estoques de passagem em fev/16 estão previstos em 1,4 milhão de toneladas, que, se confirmados, serão um pouco maiores que os das duas safras anteriores, mas inferiores aos de outros anos, o que não deve pesar sobre as cotações.

 Cenário Internacional

As cotações do arroz em boa parte dos países asiáticos em 2014, segundo relatório de out/14 da FAO (Organização para a Alimentação e Agricultura das Nações Unidas), permaneciam superiores às do ano anterior. Ainda conforme dados da FAO, o consumo global do arroz na safra 2014/15, poderá atingir 500,3 milhões de toneladas, aumento de 1,7% frente à temporada 2013/14. Este resultado se deu tanto pelo crescimento no consumo humano, em 1,3%, como no não humano, em 1,4%. Com base nessas estimativas, o consumo per capta mundial passaria de 57,4 para 57,5 kg nesta temporada (2014/15) frente à anterior, refletindo certa estabilidade nos países em desenvolvimento (de 68,3 kg/pessoa) e nos desenvolvidos (12,4 kg/pessoa). A produção mundial de arroz estava estimada em 496,4 milhões de toneladas na safra 2014/15, queda de 0,4% frente à anterior. Para o estoque mundial, era esperada redução de 2%, especialmente nos países asiáticos. A comercialização mundial, por sua vez, poderá subir 0,7%, puxada pelo aumento nas compras dos países africanos.

 Arroz 60 grãos inteiros.

Em outubro, o preço do arroz de 60% de grãos inteiros no Rio Grande do Sul acumulou alta de 0,62%, encerrando o mês a R$ 37,28/sc de 50 kg, no dia 31. Entre as regiões consultadas pelo Cepea, a maior valorização, de 1,43%, foi observada na Planície Costeira Externa ao preço médio de R$ 38,06/sc. Em seguida, houve variação positiva na Depressão Central, de 0,85% (R$ 36,15/sc); Fronteira Oeste, de 0,39% (R$ 37,14/sc); e Planície Costeira Interna, de 0,26% (R$ 38,34/sc). Nas regiões Zona Sul e Campanha houve recuo de 0,98% e 0,3%, respectivamente, no acumulado do mês, com médias de R$ 37,63/sc e R$ 35,71/sc.



  


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