
ANÁLISE CEPEA – Em setembro, o Indicador ESALQ/Bolsa Brasileira de Mercadorias-BM&FBovespa (Rio Grande do Sul, 58% grãos inteiros) permaneceu estável (-0,02%), fechando no dia 30 a R$ 36,65/sc de 50 kg. Entretanto, no dia 11, o Indicador atingiu o maior valor dos últimos dois anos, de R$ 36,90/sc, e a média mensal, de R$ 36,80/sc, só não foi superior à de janeiro. Além disso, a média de setembro superou a de agosto (1,61%) e a de setembro/13 (4,2%) em termos reais – deflacionada pelo IGP-DI de ago/14.
A maior valorização acumulada foi observada na Depressão Central, de 0,94%, com média de R$ 35,26/sc de 50 kg. Na Planície Costeira Interna, a alta foi de 0,69%, com média de R$ 38,24/sc; na Campanha, de 0,57% (R$ 35,19/sc), na Fronteira Oeste, 0,44% (R$ 36,45/sc), e, no Litoral Sul, 0,44%, a 37,87/sc.
O ritmo de negociação do arroz em casca no Rio Grande do Sul esteve enfraquecido no mês. A retirada dos lotes arrematados no leilão do dia 25 e a expectativa quanto às eleições presidenciais brasileiras fizeram com que os agentes seguissem retraídos. Isto porque os leilões sempre geram especulações quanto ao reflexo no preço no casca e do beneficiado, a depender da qualidade dos lotes ofertados e do volume leiloado.
Do lado comprador, o aumento na disponibilidade do casca com a realização dos leilões e a fraca demanda dos setores atacadista e varejista, fizeram com que indústrias demonstrassem fraco interesse de compra, adquirindo apenas pequenos lotes para entregas imediatas. Segundo pesquisadores do Cepea, a principal preocupação das indústrias era quanto às expectativas de queda de preço no fardo do arroz beneficiado.
Orizicultores, por sua vez, venderam arroz apenas quando havia necessidade de “caixa”, enquanto outros comercializaram gado e soja. Entretanto, a proximidade dos vencimentos das parcelas de custeio de safra, por volta do dia 20 de cada mês, alimenta a expectativa de parte de aumento na oferta no curto prazo. Boa parte dos negócios efetuados por produtores foi de arroz depositado nos armazéns das beneficiadoras, guardando os lotes de arroz “livre” (armazenados nas propriedades rurais) para vendas futuras.
Quanto ao plantio da safra 2014/15, produtores consultados pelo Cepea se mostraram preocupados com as constantes chuvas no Rio Grande do Sul, podendo ocasionar atraso na semeadura. De acordo com relatório do Irga, até o final de setembro, foram semeadas 5,06% da área estimada para a safra 2014/15, de pouco mais de 1,1 milhão hectares.
Dados da Secex indicam que a exportação brasileira de arroz aumentou 14,7% de janeiro a setembro, totalizando mais de 902 mil toneladas. Assim, balança comercial do Brasil estava superavitária em quase 240 mil toneladas, enquanto no mesmo período de 2013, era deficitária em pouco mais de 122 mil toneladas.
Cenário Internacional
Quanto aos preços, em setembro/14, o Índice do Arroz da FAO (que é composto por 16 valores de referência de exportação) recuou frente ao mês de agosto/14, retornando ao Índice de julho/14, em 1,65%. Já na parcial de 2014 (até setembro), era positivo, em 4,8%. De ago/14 para set/14, entre os tipos divulgados pela FAO, a maior queda foi do Parq 25% de quebrados, de 8,42%. O arroz Uruguaio, de 5% de quebrados, recuou 1,81% no mesmo período. O Tai 100% parboilizado recuou 3,54%; o Tai 5% de quebrados, 2,26% e o Tai 25% de quebrados, 2,04%. O Vietnã 5% de quebrados caiu 0,88% e o arroz EUA 2,4% (grão longo), 2,12%.
Edital do leilão de venda
No dia 25 de setembro, foi realizado o terceiro leilão de venda de arroz em casca destinado ao Rio Grande do Sul em 2014. Os dois primeiros leilões ocorreram em janeiro/14, com oferta de pouco mais de 30 mil toneladas. Em setembro, os editais 157 e 158 ofertaram 30,2 mil toneladas, sendo que os lotes foram das safras 2006/07, 2008/09, 2010/11 e 2012/13 de arroz de 50-56 grãos inteiros, 57-59 grãos inteiros e 60-62 grãos inteiros. O preço médio de abertura do leilão para os avisos 157 e 158 foi de R$ 32,80/sc de 50 kg, com ágio de 3,54%, indo para R$ 33,96/sc.
Arroz de 60% grãos inteiros
Em setembro, o preço médio do arroz de 60% de grãos inteiros no Rio Grande do Sul registrou elevação de 1,46% em relação à média de agosto/14, a R$ 37,21/sc de 50 kg. Todas as regiões apresentaram alta no valor médio, sendo a mais expressiva na Planície Costeira Interna, de 2,45% (R$ 38,34/sc), seguida da Depressão Central, de 2,24% (R$ 35,82/sc). Na Zona Sul, a elevação foi de 1,32% (R$ 38,07/sc); na Campanha, 1,28% (R$ 35,84/sc); na Planície Costeira Externa, 1,25% (R$ 37,49/sc); e na Fronteira Oeste, 0,75% (R$ 37,01/sc).






