
Por enquanto, agentes do mercado do arroz em casca no Rio Grande do Sul têm expectativas de alta para o inÃcio de 2014. O fortalecimento da demanda das indústrias, para atender vendas externas ou internas, e a baixa disponibilidade de arroz nos armazéns das empresas, mesmo com o anúncio dos leilões de venda do governo federal, são fatores que fazem com que produtores esperem preços firmes para este começo de ano.Â
Contudo, o inÃcio da colheita da safra 2013/14, que deve ocorrer entre o final de fevereiro e o começo de março de 2014, pode pressionar as cotações domésticas – o clima está favorável ao desenvolvimento da temporada.Â
Vale lembrar que, o semeio da safra 2013/14 foi prolongado e ocorreu de setembro até o inÃcio de dezembro de 2013, devido à s frequentes chuvas. Isto pode refletir na extensão do perÃodo de colheita, na qualidade do grão e também no aumento do custo de produção da temporada. Em algumas regiões, houve necessidade de novos tratos culturais – cobertura de nitrogênio e ureia e a ocorrência de brusone. Estes fatores podem influenciar no aumento de preço dos grãos de maiores rendimentos e qualidades para produção do arroz tipo 1 e tipo 1 top.
Nos últimos anos, orizicultores do Rio Grande do Sul investiram em depósitos em suas propriedades rurais, visando aumentar o volume de armazenagem e, consequentemente, poder programar melhor as vendas ao longo de 2014. Esse fato, por sua vez, pode trazer mais incertezas nas estimativas de volumes colhidos e nos estoques de passagem.
Segundo a Conab, a safra 2013/14 de arroz em casca no Brasil é estimada em 12,22 milhões de toneladas, 4% maior que a safra anterior. No Rio Grande do Sul, maior estado produtor, é esperado crescimento de 5%, para 8,3 milhões de toneladas. Em Santa Catarina, a estimativa é de 1,06 milhão de toneladas (+3,2%). Com isso, na região Sul, é esperada produção 4,7% acima da safra 2012/13. No Norte do Brasil, segunda maior região produtora, a estimativa é de ligeira queda, de 0,6%, na oferta, enquanto no Nordeste, de crescimento de 6,4%, apesar da queda no Maranhão, o quinto maior estado produtor nacional. No Centro-Oeste, estima-se crescimento de 1,5% na produção e no Sudeste, queda de 5,6%.
No agregado, dados da Conab apontam que, além da produção de 2013/14, no inÃcio de março, deve haver estoques da safra 2012/13 em torno de 1,77 milhão de toneladas. Soma-se, também, uma importação de um milhão de toneladas, o que gerará disponibilidade interna de cerca de 15 milhões de toneladas. Destes, 12 milhões de toneladas devem ser consumidos internamente e 1,1 milhão de toneladas, exportadas, o que geraria estoques finais, em fevereiro/15, na casa de 1,9 milhão de toneladas, bem próximo aos nÃveis da safra atual. Estes números apontam que o governo terá dificuldade em recompor seus estoques em 2014.
Em termos mundiais, o USDA aponta aumento de 0,3% na produção de arroz beneficiado, para 470,6 milhões de toneladas. Entre os maiores produtores, é esperada queda na oferta apenas da China, Ãndia, Japão e Estados Unidos. No consumo, o crescimento estimado é de 1,3%, para 472,9 milhões de toneladas, o que tende a pressionar os estoques de passagens e também a relação estoque final/consumo.
Para as transações mundiais, é esperado aumento de 3,8%, para cerca de 40 milhões de toneladas. As incertezas ficam por conta da Tailândia, que teve um aumento expressivo dos estoques, via compras governamentais, para garantia de renda, o qual poderá ser disponibilizado para exportação, limitando as vendas externas de outros paÃses.Â
Para o Brasil, caso o dólar se desvalorize frente ao Real e os preços internos fiquem firmes, as importações de arroz em casca e de beneficiado do Paraguai, Argentina e Uruguai podem ser favorecidas. Estes produtos são incorporados ao arroz brasileiro, reduzindo o custo de produção do fardo de arroz beneficiado, podendo trazer maior competitividade às empresas que adquirem o arroz externo. Já se o dólar estiver valorizado frente ao Real, as exportações são favorecidas e, de acordo com a disposição de venda dos orizicultores, o preço do arroz pode continuar subindo internamente.






